terça-feira, 16 de junho de 2009

Carta de um aliado de Ary Vanazzi

A propósito do comentário que fiz na Página 10, reproduzido aqui no blog, sobre a perspectiva de acordo entre os candidatos que disputam a indicação do PT para concorrer a governador, recebo longa carta de Marcel Frison, um dos principais articuladores da candidatura de Ary Vanazzi. Vou colar a carta na íntegra, mas reafirmo a convicção de que o candidato não será escolhido no voto:

Cara Rosane,

Gostaria de tecer alguns comentários a respeito do que foi veiculado por tua coluna no dia de hoje, domingo, 14 de junho de 2009.

Primeiro em relação ao “clima para acordo” onde ensejas a possibilidade da retirada antecipada das candidaturas Vanazzi e Villaverde da disputa pela candidatura ao Governo do Estado, por conta, segundo as suas reflexões: “da liderança consolidada de Tarso nas pesquisas de intenção de voto e a solidez do bloco reunido em torno da sua candidatura. ..” – “o que tornaria improvável uma escolha no voto”.

As pesquisas de opinião são importantes, mas não norteiam as decisões do PT. A condição do companheiro Tarso nas pesquisas é fruto da sua maior visibilidade, na medida em que, ocupou e ocupa espaços importantes conquistados pelo partido. Na verdade, esta intenção de voto, em grande parte, é um patrimônio do partido que poderá ser transferida a outro candidato se esta for a decisão. É o caso da companheira Dilma Roussef, se pesquisas fossem preponderantes, ela não seria candidata com total apoio do partido.

A solidez do bloco que apóia Tarso é igual a um castelo de areia. Veja Rosane, segundo as notícias dos grandes veículos de comunicação do estado (inclusive o jornal ZH), desde que Tarso resolveu ser candidato ao Piratini tem buscado construir uma aliança, por fora das instâncias partidárias, com o senador Zambiasi e o PTB. No entanto, a DS que a principal força do bloco de sustentação da sua candidatura é radicalmente contra esta aliança. Alguém não está contando para a base partidária toda a verdade, ou bem a DS cedeu à tática elaborada por Tarso ou Tarso abdicou da sua política. Ou pior, a verdadeira política somente será conhecida depois de chegarmos ao governo, como aconteceu, por exemplo, em Canoas, onde o Prefeito Jairo Jorge (o principal seguidor de Tarso) convidou o ex-deputado César Busatto (PPS) para compor a sua equipe. Todos no PT condenaram esta iniciativa, mas cá entre nós, é de se acreditar que Tarso não sabia de nada a respeito deste assunto?

Por outro lado, o histórico das disputas internas no PT nos diz que maiorias consolidadas entre as direções das tendências nem sempre acompanham o resultado colhido da militância. Dou-te dois exemplos emblemáticos: O próprio Tarso em 2002, quando venceu Olívio nas prévias (Olívio tinha uma base de apoio, a julgar pelas tendências que o apoiavam, de cerca de 70% do partido) e a Maria do Rosário em 2008, quando venceu Rossetto na capital, onde praticamente todas as figuras públicas do PT e grandes tendências apoiavam Rossetto.

Então, cara jornalista, estes motivos não são suficientes para que retiremos o nome do companheiro Vanazzi (já que sobre o companheiro Villaverde não posso falar), pelo contrário, nos estimulam para a disputa. E, sem dúvidas, iremos ao Encontro Estadual para colocar em votação a pré-candidatura do companheiro Vanazzi.

Segundo, sobre o subtítulo “Qual a Diferença” sustentas de que não há grandes diferenças entre os três pré-candidatos, nas suas palavras: “Todos defendem alianças, todos prometem desenvolvimento, todos querem ao seu lado os movimentos sociais, todos tem o governo Yeda Crusius como alvo”.

Mais adiante afirmas: “Olívio anunciou que não seria candidato, mas Villaverde e Vanazzi se colocaram como obstáculo ao consenso, mesmo sabendo que a maioria estava fechada com Tarso”.

Ora, Rosane, o grande obstáculo ao consenso é a própria história do companheiro Tarso dentro do PT que, como é público e notório, enseja inúmeros ressentimentos.

Para nós, que defendemos a pré-candidatura do Prefeito Vanazzi, a retirada do companheiro Olívio abriu a perspectiva do partido de se renovar e apresentar à sociedade novos interlocutores, distantes de polêmicas passadas. Vanazzi representa isto, é o Prefeito do PT com melhor desempenho administrativo e eleitoral, foi um dos principais impulsionadores da esmagadora vitória que o PT colheu no Vale do Sinos (uma das regiões mais populosas do Rio Grande). Vanazzi representa também a melhor equação na relação com os movimentos sociais que serão decisivos no pleito do ano que vem, já que foi militante orgânico destes movimentos e é reconhecido por manter esta relação quando governante.

Da nossa parte não temos qualquer predisposição contrária a construir uma aliança com os demais partidos sediados no RS. A rigor, há pouquíssimas diferenças ideológicas entre, por exemplo, o PTB e o PP. A questão central para nós é construir a “casa pelos alicerces”, ou seja, fortalecer os laços com os partidos de esquerda (PDT, PSB e PC do B) que são nossos aliados históricos para depois pensar em ampliar esta aliança, sem vetos, para os demais partidos.

Tarso, por sua vez, buscou construir a “casa pelo telhado” ao flertar prioritariamente com o PTB e Zambiasi. E a DS, sua apoiadora, tem explícito veto ao PTB. Uma contradição que, repito, necessita ser esclarecida.

Em relação às questões programáticas, concordando contigo, o PT está iniciando o debate, e atualmente não é possível verificar convergências e divergências a respeito deste tema. Mas certamente haverá...

No mais, comunico que a pré-candidatura Vanazzi está cada vez mais forte, com a confirmação do MPT de Maria do Rosário e com a adesão de mais uma tendência a UPS Unidade Popular Socialista que tem entre os seus quadros: Selvino Heck (assessor especial do presidente Lula), Mauri Cruz (ex-secretário de transportes de POA) e Daniel Maia ( Secretário Executivo do MDA). E reitero nossa disposição de disputar até o fim, quando a base decidirá pelo voto a sua candidatura para 2010.

Um abraço,

Marcel Frison
Membro do Diretório Nacional do PT

Postado por Rosane Segunda 15/06 às 22h23

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